No coração da cidade de Torres, próxima a restaurantes, serviço, cafés e lojas, reina a  calma e encantadora Lagoa do Violão. Amada pelos torrenses e admirada pelos turistas, é playground e contemplação em um só lugar.

Quando pequeno, escutei muitas histórias contadas pelo meu pai de uma lagoa que nunca vi. Falava ele que, entre as décadas de 50 e 60, atrás da escola São Domingos (hoje Sagrado), desciam dunas de areias vindas da Praia da Cal, que se encontravam com as águas cristalinas da Lagoa do Violão, onde as crianças tomavam banhos enxergando seus pés e as conchas do mar.
Estou próximo dos meus 40 anos e também tive o privilégio de viver uma outra Lagoa, numa época em que a ponte era de madeira, o calçadão não existia, o lado sul era pouco habitado e, quando queríamos um pouco de aventura no caminho para a escola, a contornávamos pelo lado de cima, por um trilho de barro vermelho.
No lado norte, havia uma ilha com vários patos, frangos d’água e uma cerca que limitavam uma área em suas margens onde viviam emas e pavões, todos eles alimentados de barquinho pelo senhor Neco, funcionário da prefeitura.
Não posso dizer que vivi os tempos áureos, pois na Lagoa do Violão todos são geração após geração. Mudaram as atrações e a infraestrutura, sem alterar o estado de encantamento causado por esse lugar… Onde ontem tomávamos banhos, hoje tomamos chimarrão enquanto a vida acontece. Famílias andam de pedalinho, jovens — de idade e de espírito — andam de stand up e caiaque, caminham pelo calçadão ou percorrem de bicicleta sua ciclovia. Contemplamos também uma fauna riquíssima da região, repleta de tartarugas, biguás ou gaivotas que respondem por momentos únicos a quem está disposto a perceber!

Turistas e torrenses aproveitam seus atrativos, mas só os moradores têm na Lagoa o quintal de casa, usufruem as facilidades de morar próximo de tudo curtindo um clima tranquilo, e têm o privilégio de assistir da sacada do Edifício Ponta da Lagoa  um dos mais belos pôr do sol do Estado.